Resenha da Nossa Quinta Roda de Conversa para Gestantes!

Cuidados pós parto x Placenta: Curiosidades e Utilização.

 

Puerpério

É o período que compreende a fase pós-parto, quando a mulher passa por alterações físicas e psíquicas até que retorne ao estado pré-gravídico. Inicia-se no momento do desprendimento da placenta, logo após o nascimento do bebê.

Este período dura em torno de seis semanas a oito semanas e geralmente termina quando a mulher volta a ovular, ou seja, retorna a sua função reprodutiva se a puérpera não estiver amamentando. Quando a mulher está amamentando, o momento em que a ovulação retorna depende da frequência das mamadas e pode demorar cerca de 6 a 8 meses.

É dividido em três fases:

– Puerpério imediato – inicia logo após a saída da placenta e dura aproximadamente duas horas.

– Puerpério mediato: desde o puerpério imediato até 10º dia. Neste período ocorre a regressão do útero e o sangramento vai diminuindo com o passar dos dias.

– Puerpério tardio – do 10° ao 45° dia;

– Puerpério remoto – além do 45° dia até que a mulher retome sua função reprodutiva.

O que Lóquios?

É o sangramento vaginal inicialmente vermelho vivo e, por vezes, tão ou mais abundante que a menstruação e com o passar do tempo torna-se acastanhado e em pequena quantidade. Passados de 10 a 14 dias, torna-se amarelado, até que desapareça.

É o corpo eliminando o material que revestia o útero durante a gestação. Parece uma menstruação, com um fluxo mais intenso, às vezes irregular.

Quanto tempo o sangramento dura?

Para algumas mulheres, o sangramento pós-parto dura só duas ou três semanas; para outras, até seis.

O sangramento vermelho vivo deve ir embora depois da primeira semana. Se não for, é necessário um pouco mais de repouso. Não é recomendado o uso de absorventes internos porque podem levar bactérias para o útero e causar infecções.

Procure ajuda se o sangramento:

• Exigir a troca de mais de um absorvente por hora

• Continuar muito intenso e vermelho depois da primeira semana

• De repente ficar vermelho e intenso de novo depois da primeira semana, e não melhorar com o repouso (Pode ser um sinal de que um pedaço da placenta acabou ficando dentro do útero, ou de que o útero não está voltando ao tamanho normal como deveria).

• Tiver coágulos grandes (maiores que uma bola de pingue-pongue)

• Tiver um cheiro ruim, ou se você tiver febre e/ou calafrios.

• Sentir sensação de desmaio.

Placenta

É o órgão responsável pela proteção e nutrição do bebê. Por ela, ele recebe oxigênio e nutrientes para seu desenvolvimento saudável. Também tem uma ligação com a corrente sanguínea da mãe, que faz com que os rins maternos eliminem as impurezas resultantes de seu metabolismo.

Este órgão ajuda a proteger o bebê de substâncias que podem ser nocivas, bem como de infecções. A placenta serve como um filtro protetor do bebê, mas existem inúmeras substancias que atravessam essa barreira e a mãe precisa ter cuidado para que elas não entrem em contato com o feto, como álcool, drogas, tabaco, alguns componentes de medicamentos.

A placenta também tem outras funções na gravidez, como produzir hormônios que são essenciais para desencadear o trabalho de parto e o próprio parto.

Após a realização de um parto normal, a placenta sai espontaneamente depois de 4 ou 5 contrações uterinas, que são menos dolorosas. É importante que depois do parto a placenta seja examinada de forma a concluir que não ficaram pedacinhos dentro do corpo da mulher.

Curiosidades sobre a placenta

Existem povos que consideram a placenta a parte espiritual da criança, aquela parte dela que a acompanhou do Céu para a Terra. Portanto a conservam e a usam para diferentes rituais.

Em outras sociedades todas as placentas são enterradas em meio a rituais para harmonizar os seres humanos à mãe natureza e por vezes, são enterradas junto à árvores.

Existem métodos empíricos usados pelas parteiras tradicionais da América central e meridional para reanimar uma criança nascida morta colocando fogo à placenta expelida, com o cordão ainda ligado ao bebê, para que ele volte à vida.

Em outras culturas a placenta é conservada ao lado da criança até a queda do cordão, como sinal de respeito pelos tempos da criança, e também na convicção que a placenta continue nutrindo a criança até estar completamente seca. Em seguida poderá ser transformada em remédios (tinturas) que curarão a criança por vários anos e de todas as doenças.

Existem trabalhos de pintura com a placenta, que são uma forma de arte e de manter a memória de um órgão que foi tão importante para a vida do bebê.

 

Amamentação

Durante a gestação, a aréola do peito já se modifica para receber a boca do bebê. Ela fica mais escura e a pele dessa região um pouco mais grossa e menos sensível. Para ajudar, a mamãe pode tomar sol na região durante 15 minutos por dia, evitando o sol das 10h às 16h.

Depois que o bebê nascer, não passe nenhum produto para limpar ou hidratar as mamas, principalmente na região das aréolas, que é onde o bebê deve abocanhar. “O leite materno é o melhor produto para hidratar”, informa a fonoaudióloga Jamile Elias.

Não precisa passar álcool para esterilizar o bico antes de o bebê mamar: o próprio leite já faz essa função. As mamas estão um pouco ressecadas ou começando a rachar, leite materno nelas. Passe o leite, espere secar e depois coloque o sutiã. Na hora do banho a mamãe pode lavar as mamas com sabonete e depois enxaguá-las com bastante água.

Manobras para aumentar e fortalecer os mamilos durante a gravidez, como esticar os mamilos com os dedos, esfregá-los com buchas ou toalhas ásperas, não são recomendadas, pois na maioria das vezes não funcionam e podem ser prejudiciais, podendo inclusive induzir o trabalho de parto. Isso porque quando a mama é estimulada, o organismo produz ocitocina, hormônio que estimula a contração. E, para as mulheres que correm risco de aborto, o estímulo pode acarretar parto prematuro ou aborto.

Problemas relacionados a amamentação

1. Ingurgitamento mamário:

É mais comum em primíparas e costuma aparecer no segundo dia pós-parto. Ocorre devido o aumento da vascularização e congestão vascular das mamas e da acumulação de leite. Pode atingir apenas a aréola, o corpo da mama ou ambos.

Quando a aréola está ingurgitada, o bebê não consegue abocanhar devidamente, o que é doloroso para a mãe e não alimenta adequadamente a criança pela dificuldade na saída do leite.

Para o tratamento do ingurgitamento mamário, são úteis as seguintes medidas:

  • Manter as mamas elevadas; usar um soutien apertado.

  • Compressas frias entre as mamadas para reduzir a vascularização.

  • Compressas quentes (ou ducha de água morna) antes das mamadas facilitam a saída do leite.

  • Amamentar com frequência. Se necessário, extrair o leite manualmente ou com bomba de sucção.

  • Usar analgésico, se necessário.

2. Diminuição do leite – Hipogalactia

Uma queixa comum durante a amamentação é afirmar que se tem pouco leite ou que o leite é fraco. Isso porque um bebê pequeno precisa de uma alta frequência nas mamadas.

A suficiência de leite materno é avaliada através do ganho de peso da criança e o número de micções por dia (no mínimo 6 a 8). Se a produção do leite parecer insuficiente para a criança, pelo baixo ganho ponderal na ausência de outras causas orgânicas, é necessário tentar determinar o que está a interferir com a produção do leite. Nesse caso, pode ser recomendável que se procure um banco de leite para o complemento da mamada ou até o uso de leite artificial, mas como complemento, nunca a total substituição.

Para o aumento dos níveis séricos de prolactina é importante a sucção dos mamilos, e fatores outros fatores como o sono e o exercício físico.

3. Traumas nos mamilos

A amamentação não deve ser dolorosa. Estar atento à:

  • Manter os mamilos sempre secos.

  • Após as mamadas, passar algumas gotas de leite sobre os mamilos.

  • Expressão manual da aréola antes das mamadas para que a auréola não esteja ingurgitada.

  • Variar o posicionamento do bebê nas mamadas, evitando que ele pressione as áreas traumatizadas.

  • Faça massagens nas mamas com a polpa dos dedos em movimentos circulares no sentido da aréola para o tórax.

Se as fissuras forem suficientemente dolorosas a ponto de impossibilitar a amamentação, recomenda-se a suspensão da amamentação no seio mais comprometido por 24 a 48 horas, e esvaziar manualmente a mama comprometida, após cada mamada no outro seio.

4. Mastite

São as fissuras, na maioria das vezes, a porta de entrada para os bactérias que provocam a mastite. Causa dor local intensa, febre e mal-estar. A mama apresenta-se com edema, vermelhidão e calor.

O tratamento é conduzido com antibióticos e esvaziamento suave e completo da mama comprometida, prevenindo, assim, o ingurgitamento e mantendo o suprimento do leite.

A amamentação não deve ser interrompida. Nos casos em que não ocorrer melhora após 48 horas de tratamento, um abscesso pode se formar, que pode ser palpado e identificado pela sensação de flutuação. Nesse caso a drenagem é cirúrgica e torna-se necessária a interrupção temporária da amamentação no seio afetado.

Vantagens do Aleitamento materno

Para o bebê:

  • O leite materno é o mais completo alimento para o bebê até o 6º mês de vida.

  • É de fácil digestão.

  • Protege o bebê contra doenças como: diarréia, resfriados, infecções urinárias e respiratórias, alergias e problemas na arcada dentária, entre outros. E várias doenças, à medida que contém todas as substâncias necessárias para bem nutri-la e imunizá-la.

  • Previne as alterações estruturais e funcionais da face, promovendo o desenvolvimento harmônico da musculatura e melhor flexibilidade na articulação das estruturas que participam da fala.

  • Estimula o padrão respiratório nasal no bebê.

  • É uma forma muito especial e fortalecedora do vínculo entre mãe e bebê, que transmite segurança, carinho e amor. Favorece um bom desenvolvimento mental da criança e estabilidade emocional.

Para a mãe

  • Em geral, o corpo retorna ao estado pré-gravídico mais rapidamente.

  • Ajuda a reduzir o sangramento, diminuindo o tempo em que o útero costuma levar para voltar ao tamanho normal.

  • Aumenta o vínculo afetivo mãe-bebê.

  • Não custa nada, é de fácil aquisição, a temperatura ideal, estando livre de contaminações externas e pronto para consumo.

A amamentação só esta contra indicada se a mãe for Aidética ou estiver fazendo uso de medicação anticancerígena, antitireoideanas e substâncias radioativas.

A “preparação” das mamas para a amamentação, tão difundida no passado, não tem sido recomendada de rotina. A gravidez se encarrega disso.

Retorno às atividades sexuais

Não existe um prazo pré-estipulado. A mulher precisa de tempo para se recompor. Em geral, a orientação é aguardar pelo menos 40 dias, mas o casal pode começar antes ou depois desse prazo. O parto normal permite uma retomada mais precoce das atividades sexuais, sem muito desconforto vaginal e dores. Já a cesariana requer um tempo adicional para o pós-operatório.

É normal perder a libido após o parto. O nascimento de um filho gera uma confusão emocional nos pais. O parto psicológico, que é a separação psíquica entre mãe e filho, pode demorar até 90 dias após o parto fisiológico. Até lá, a mãe dedica-se quase exclusivamente ao filho, como se fosse uma extensão de seu corpo.

Outra causa da perda da libido é a amamentação, pois a prolactina interfere na disposição sexual da mulher e causa o ressecamento vaginal. Ocorre também a escassez de estrogênio que colabora com a falta de apetite. Além disso, a livre demanda da amamentação causa muito cansaço físico, sono, estresse, insegurança, irritação na mulher e a deixa indisposta.

Uma boa maneira de favorecer a retomada das atividades sexuais é praticar exercícios físicos leves, sob a orientação. No caso de mulheres que estão preocupadas com a flacidez de sua região genital por causa do parto normal, a dica é praticar exercícios vaginais.